Pular para o conteúdo

Homenagem a Canhoto da Paraíba - Casa do Choro

qua., 20 mai ✦ 19:00

Rua da Carioca, 38

Rua da Carioca 38, Centro

Ver no mapa
Ingresso no
Homenagem a Canhoto da Paraíba - Casa do Choro (foto do evento)

Detalhes do Evento

O que rola:
Homenagem a Canhoto da Paraíba reúne grandes nomes do choro

A música brasileira ganha uma noite especial dedicada à memória e à obra de Canhoto da Paraíba, um dos maiores nomes do violão nacional. Reconhecido por sua técnica única e estilo inconfundível, o artista deixou um legado que atravessa gerações e segue inspirando músicos no Brasil e no mundo.

A homenagem reúne no palco importantes nomes do choro: Luis Barcelos, Luciana Rabello, Mauricio Carrilho e Bidu Campeche, que interpretam obras marcantes e recriam a sonoridade característica do mestre.

Canhoto da Paraíba ficou conhecido por sua forma singular de tocar violão: mesmo sendo canhoto, utilizava o instrumento sem inverter as cordas, desenvolvendo uma linguagem própria que se tornou sua assinatura artística.

Mais do que um tributo, o espetáculo propõe um encontro com a essência do choro e com a história da música brasileira, celebrando a permanência e a força da obra de um artista fundamental.

Canhoto da ParaíbaAraújo, Francisco Soares de
  • Compositor
  • ∙ Violonista

Francisco Soares - o Canhoto da Paraíba - começou tocando sinos, como sacristão. De família musical e tendo aprendido alguns rudimentos de teoria, diz-se que neles executava o frevo Vassourinhas. Embora seu pai desejasse que ele tocasse clarineta (como seu avô, que era mestre de banda da cidade), na falta do instrumento em casa ele começou a tocar no violão do pai aos 12 anos, deitando o instrumento sobre as pernas na posição inversa, sem inverter o encordoamento. Quando ganhou seu próprio violão, aos 16 anos, já havia desenvolvido toda a sua técnica de tocar ao contrário, e nela se manteve, sempre como autodidata. Da mesma forma passou a tocar cavaquinho e bandolim.

Dirigiu por cinco anos seu primeiro regional na Rádio Tabajara, em João Pessoa, PB, acompanhando músicos e cantores locais, além de grandes nomes nacionais em excursão pelo Nordeste. Mas, como acontecia com muitos chorões, Canhoto não vivia apenas de música, mantendo durante quase toda a vida um emprego administrativo em Recife, cidade onde passa a viver a partir de 1958. É em Recife que grava seu primeiro disco em 1968, participa regularmente de programas na Rádio Jornal do Comércio e se apresenta em shows locais.

Levado por músicos como o bandolinista Rossini Ferreira, seu nome corre o país e Canhoto, convencido por amigos, faz uma rápida excursão ao Rio de Janeiro onde, hospedado na casa de Jacob do Bandolim por cerca de duas semanas, convive e toca com Pixinguinha, Radamés Gnattali, Tia Amélia, Dilermando Reis e um jovem Paulinho da Viola. De volta a Recife, ajuda a fundar o Clube do Choro da cidade onde desenvolve toda a sua carreira musical, conciliando a vida burocrática, o rádio, as rodas de choro, as gravações e excursões periódicas pelo Brasil.

Conhecido por gostar da velocidade, seu disco O Violão Brasileiro tocado pelo avesso, de 1977, é conhecido também como Canhoto a mais de mil. Com uma obra formada por choros, valsas e temas de natureza nordestina, Canhoto é autor de cerca de 70 composições, todas elas instrumentais. Entre elas, Com mais de mil, Tua imagem e Visitando o Recife são as mais gravadas.

Em 1971, Paulinho da Viola dedica a ele o choro Abraçando Chico Soares. Em 2004, é a vez do violonista Fernando Caneca lançar pela Deckdisc o CD Visitando Canhoto da Paraíba, todo dedicado à sua obra. Já em 2010, o Trio de Câmara (formado por Caio César, Pedro Amorim e Alessandro Valente) lança o CD Saudades de Princesa, também dedicado à obra do violonista, com arranjos especialmente criados para as suas refinadas melodias.


Por Mauricio Carrilho: “Como compositor de choro em geral o Canhoto tá no primeiro time, junto com os grandes, junto com Pixinguinha, Nazareth, Jacob, junto com os maiores. Como compositor de choro para violão ele está entre os três melhores [...] João Pernambuco, um pioneiro dessa linguagem de composição de choro para violão, o Garoto e o Canhoto, que são as maiores expressões de compositores de choro pra violão que a gente tem na história da música brasileira”.

Confira outras festas do mesmo dia